
Levo o mar dentro
levo o mar na palavra
e quando te falo
eu sei que te inundo
Concha Rousia

A farinha da poesia –
farinha feita de terra –
que polvilha todas as coisas
com seu corpo de areia.
adocicando-a apenas
para esconder a aspereza
sem deixar se perder
seu caráter de areia.
comemos sem pressa
e sem pressa terminamo-la,
do alguidar ou panela
em que ela se encontra;
Diariamente comemos
e todo dia sempre a mesma
fome, fome que ultrapassa
à fome da matéria.
é uma fome mais que fome,
absurda e concreta,
é uma vontade de comer
e ser comido por ela.

