mais do que destino traçado
sob a égide da lua cheia
me perder em tí foi tal
como sinal trocado de uma
vital sustança
uma rediviva sina
de augusta esperança
em meia noite fria
(penso)
e esta lua que alumia
me diz que ainda posso
viver amor assim, intenso
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
AMARAMORAMANDO
amo este amor e
sigo amando inda
que a estrela rebrilhe
reclanando a falta
da poética dedicada.
sem saber como
nem saber o porque
eu me perco
nesta caminhada
para expiar o adoecer.
e neste amor tisnado
pela estrada vou sozinho
ficando para trás no caminho
chutando pedras
em triste devaneio.
e elas pedras
não me dizem nada.
espero apenas
por você, amor
prenhe deste amar
que me explica
vê se então
não vai embora
vê se então
não mais complica.
quem de fato ama
sempre amando fica.
sigo amando inda
que a estrela rebrilhe
reclanando a falta
da poética dedicada.
sem saber como
nem saber o porque
eu me perco
nesta caminhada
para expiar o adoecer.
e neste amor tisnado
pela estrada vou sozinho
ficando para trás no caminho
chutando pedras
em triste devaneio.
e elas pedras
não me dizem nada.
espero apenas
por você, amor
prenhe deste amar
que me explica
vê se então
não vai embora
vê se então
não mais complica.
quem de fato ama
sempre amando fica.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
A NUVEM QUE PASSA E QUE PASSA

A Rosalia de Castro
Passa, porque me passa a nuvem
Que já foi suave foi sombra
Sobre o chão de Bastavales.
Hoje, polo céu azul do Brasil
Pega-me de amor galego
Traz-me a paz polos aires
Em rolos de fume.
Ah, Bastavales, Bastavales
Inda oiço nas campas da esperança
A Rosa que te nomeai
Pisando em tuas folhas verdes
Carpindo tuas letras olvidadas.
Ah, nuvem ridente, medieval campesinha
Que me passa em teu bruar
Polo meu desterro, desde tão longe
Da Nai e Nação Galega.
Dá-me tuas nuvens como chalés dunha fina estampa roja
Como um fim de tarde sem nenhum peso
Na fronte a nos turbar.
Así, irmão a ti por esta nuvem leve
Querer-te também bem-vindo a vida
Sem tempo, sem um fim e sem começo
Como no horizonte da Fisterra
En que todo o mal en unha oração se evita
Antes de lançar-se ao mar
O como num encanto no caldeiro druida
Na clareira do bosque frondoso
E negro de Vigo
Como no mistério oclusivas
Que em todo bem se permita.
Artur de Bastavales
Vigo - GA, 2009 10 20
sábado, 17 de outubro de 2009
O VERGER DO MOIRÃO

I
Como se da vida nos mostrando tais facetas
Que as alcançamos em seu dispor natural
Vento vem de encontro às vigorantes relvas
Ou a arvore de um amor plantado; beleza sem igual.
E o vento traz de rebordo o fulgente mar
Chiando tanto entre galhos secos, que o alarido
Das crianças soltas à praia, vem à mente e ao ouvido.
São os canários, bem-te-vis e tordos a cantar.
Mas se tudo parece um aquietar derradeiro
Nada passível de interromper a promissão...
É quando se desloca o olhar mais para o lado
E vê-se na estrada em que vai à penumbra, o cavaleiro
Que a hirsuta sombra vem de um pequeno moirão plantado
Que então brotou, vergeu como soberba arvore do chão.
II
A vetusta arvore que sempre se quis moirão
De tronco torto e de feiúra mais que espessa
Elide a morte, que quer que se lhe olvide
A existência assim tão singular.
Não quer sofrer, do corte, inabalável dor.
Quer sobrevir ao eco, ao fim-dos-tempos
Sem que lhes empatem os tíbios lamentos
Sem pretender gastar-se em flamas de ardor.
Não chama pássaros à denúncia do ocaso
Ter ninhos ou ser matéria para lenhos, não
Não, nada alem do sol nos vãos momentos.
A arvore vetusta que sempre se quis moirão.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
PARA O FLÂNEUR MARIO QUINTANA
Ah, doce poeta morto dos becos de Porto.
Está na cidade o que de ti nos resta
como reminiscência desta da urgência.
A cidade por teus passos mapeada
num existir onírico, sem pressa.
São mesmo de ti os pampeiros laços
de uma urbe sonhada, onde a vida segue
nos recortes medianeiros
e no espanto surpreendente das esquinas.
Ah, doce poeta morto dos becos de Porto.
Hoje, passando pelo Hotel Magestic
cruzei as vitrinas do saguão principal.
Os corredores do hotel são labirintos borgianos
incorporados em uma fábula de triste abdicação.
Adentrei surdamente em teu quarto
com meu olhar invasor.
Vi teu fato de dandi chique;
vi,por fazer, a tua cama de velho, abandonada.
Vi palavras, versos, poemas, cigarros
e jornais pelos cantos, notícias vãs congeladas
em um velho televisor preto e branco.
E além?
Freqüentei o teu bar, o teu café
conspurquei o teu encanto.
Que mais?
Palmilhei depois, pé a pé
a cidade que te anuncia
nesta tarde azulada e fria.
E a cidade se ia recomposta nos fonemas
martelados por sapos livres
na praça dos passarinhos
ali, bem perto do Mercado Público
onde os que atravancaram
a poesia e o caminho, por ti não passarão.
Ah, doce poeta morto dos becos de Porto.
Ah, doce fluir do Guaíba
Mar Particular, mais do que lago.
Desde este solário em que eu te vejo a flanar
poeta Quintana, nos triste ventos azuis
de Porto Alegre...
Ventos que me fazem fremer
os ossos e a alma leve pelo Bric da Redenção.
De noite, em uma poesia de essência urbana
vou descrever-te na solitude do poema
ardendo pelas estrelas na dor que emana
da intesidade da paixão e da febre.
out 2009
(passando por POA a caminho
de Bento Gonçalves)
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
A FLAUTISTA APAIXONADA
Soava Weber
para um amor do passado.
Vez por outra do uirapuru
um trinado
anunciava a meiga
letargia da brisa.
Debruçada sobre
um jardim interior
uma velha senhora flautista
apaixonada, soava Mozart
Bach e Rachimaninov.
O som da flauta era tênue e doce
e flanava como se fora o acorde
d’um sopro que a vida permissiva
mal grado ainda lhe inspirava.
A flauta transversa como do amor
a primeira vértebra
era azougue
que desatava o nó górdio
no peito, e fremia sem sentido
fremia sem ter jeito.
E assim o tempo
se encarnava de auroras
na promessa lenitiva
do entardecer.
Que mais deste contralto na alma?
Que mais desta emoção rasgada?
Como lastros, apetecidas
as estrelas cadentes
caiam no quintal da casa.
Que mais do rastilho da vida
que já pulsou quase inteira?
O semitom, a arte nobre e nômade
capaz de um voar sem asas.
Só a arte sustenta um amor assim
que vá ao limite da loucura.
Só a arte e o amor gritam juntos
Do cimo do monte
da copa da arvore.
Amor é como doença devastadora
da qual não se tem
nem quer ter-se a cura.
para um amor do passado.
Vez por outra do uirapuru
um trinado
anunciava a meiga
letargia da brisa.
Debruçada sobre
um jardim interior
uma velha senhora flautista
apaixonada, soava Mozart
Bach e Rachimaninov.
O som da flauta era tênue e doce
e flanava como se fora o acorde
d’um sopro que a vida permissiva
mal grado ainda lhe inspirava.
A flauta transversa como do amor
a primeira vértebra
era azougue
que desatava o nó górdio
no peito, e fremia sem sentido
fremia sem ter jeito.
E assim o tempo
se encarnava de auroras
na promessa lenitiva
do entardecer.
Que mais deste contralto na alma?
Que mais desta emoção rasgada?
Como lastros, apetecidas
as estrelas cadentes
caiam no quintal da casa.
Que mais do rastilho da vida
que já pulsou quase inteira?
O semitom, a arte nobre e nômade
capaz de um voar sem asas.
Só a arte sustenta um amor assim
que vá ao limite da loucura.
Só a arte e o amor gritam juntos
Do cimo do monte
da copa da arvore.
Amor é como doença devastadora
da qual não se tem
nem quer ter-se a cura.
MANTO BAUDELAIRIANO
Oh, língua portuguesa
deixe-me à fortuna
de vestir, do poeta, o manto.
Oh, deixe-me à placidez
à mesura que não seja nobre
à charada de pouca monta.
Um viver de curto calibre
não é mais caso para mim.
Não quero a mera flor
da inocência
só arroubos profundos.
Quero rodar roda ao mundo
derramar-me
de sua pura essência.
Oh, deixe-me viver o poema
dos linimentos mais raros
inda que o mundo anoiteça
sempre que a beleza intenta.
Inda quando a noite radica
em um céu, egrégio mata-borrão
sequer caída uma estrela ao chão.
A poesia mandingueira não abdica. A vida Inteira requer para resvalar-se
em todo encanto;
se a crueza da vida nos é dura
já vem o poeta-santo
e o sortilégio
de seu manto-parangolé.
deixe-me à fortuna
de vestir, do poeta, o manto.
Oh, deixe-me à placidez
à mesura que não seja nobre
à charada de pouca monta.
Um viver de curto calibre
não é mais caso para mim.
Não quero a mera flor
da inocência
só arroubos profundos.
Quero rodar roda ao mundo
derramar-me
de sua pura essência.
Oh, deixe-me viver o poema
dos linimentos mais raros
inda que o mundo anoiteça
sempre que a beleza intenta.
Inda quando a noite radica
em um céu, egrégio mata-borrão
sequer caída uma estrela ao chão.
A poesia mandingueira não abdica. A vida Inteira requer para resvalar-se
em todo encanto;
se a crueza da vida nos é dura
já vem o poeta-santo
e o sortilégio
de seu manto-parangolé.
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Evoé!
Saiba que a sua visita e o seu comentario dão sentido a este espaço, que alem de divulgar poemas, quer conversar sobre a vida. Esteja em sua casa.
Ricardo Sant'Anna Reis 21.9170-9004
"rondava a rosa à poesia pelos jardins das flores tanto mais diversa a rosa quanto mais forem os amores". Sociólogo, poeta e editor, publiquei em antologias e recebi alguns premios literários. Tenho dois livros: "Diario da Imperfeita Natureza" e "Derradeiro Prelúdio" (no prelo). Pretendo aqui interagir com voce sobre poesia ou qualquer outro assunto relevante.
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