sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Do amigo e poeta marajoara, Fabiano Silva / PA

BRAMIDO EXALTADO


Ó, Ricardo!
Domador de animais invertebrados
taxidermista de criaturas extintas
perdidas na ignorância e lassidão.

Ó, Ricardo!
Teu rio verbal, largo e intempestivo;
imitatório de meu rio natal, o Guajará,
rio de águas profundas e escuras.

Ó, Ricardo!
Poeta abissal, para te consagrar
vesti-me da malha da metáfora:
rompe com teu verso o Tempo

e outros deuses.
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AMOR FECUNDO




Percorro de novo os limites da farsa
de que fizemos parte
as tonalidades do claro/escuro
os encantos de esquina
as ameaças de desmoronamento
os muros e a noite aberta
sobre a avenida.

Possuí teu corpo tantas vezes
como se fora o alimento
ostras vivas, ambrósia da alienação.

Imaginei-te comigo no despertar
da nova aurora e tive o desejo libertário
de construir na vida
um roteiro para os melhores significados.

Deste amor quase anarquia
que tentei profundo, pequena alma
tempo presente e passado
quisera que uma lembrança
tivesse restado; uma semente terrena
uma reminiscência sensível
que fosse e a certeza de que
ainda assim teria valido a pena
este amor tão seu, tão meu, do mundo.

Poema coletivo de Bilábernardes, Claudia Gonçalves, Zé Salvador, Carlos Newlands e Ricardo Reis.


Rimas que voam

Uma folha cai
e o seu barulho é trovão.
Uma pedra cai
passarinho no alçapão.
Um poema sai
ao alcance da emoção
deixa marcas no coração.
A vida se esvai
como num pássaro ferido
na desilusão, em plumas
no vagaroso trilho
que se abre à mansidão.
E seguindo a vida
vai o verso furtivo
como a ventania que não vem.
Da novidade que trazia
este verso sem métrica
de poucas metáforas
a vida queria um canto novo.
Ah, verso que foge na brisa
deixando-nos sem alento.
abandonando-nos às rotinas
despedaçando-se lentamente
porque tudo, nada diz.

Aqui, rimas ao vento.


Poema coletivo de Bilábernardes, Claudia Gonçalves, Zé Salvador, Carlos Newlands e Ricardo Reis.



A Falta que me faz

Apuro o sentido
e não sinto mais
fluir o teu caminhar noturno.
Capturo sonidos
uns risos
que serem os teus eu intuo.
Espero, procuro, mas, nada.
Onde estarás?
A noite me vai triste
assim sem o soar
de teus almejados passos
para alem da plataforma
do desejo de ver-te vindo
em meu encalço
para me diluir em teus braços.

Sem Receio



Queria reter o momento
na eternidade dos olhos

Sentir teu calor um segundo
descendo em teu colo
profundo

Teus lábios
teu hálito de menta

Decidido e sem receio
o dorso de minha mão
tocando-te de leve
nos seios
bulindo a pele tua

Queria encher os meus dedos
com os anéis de teus cabelos

e por fim beijar-te em silencio
te fazendo eterna e minha
roubando-te a forma nua
em um amor disposto
na relva
sob a luz prateada da lua

Matinas



Levante da cama dura
Preparando a semeadura
No priaprismo matinal
Nesta ausência rediviva
Em que tens maestria.

Recorra ao suspiro que
Sustenta o corpo e silencia.
Se banhe de sol, almoce
E depois jante.
Aprenda a viver o dia.

Risque em algum papel
Um poema que se agigante.
O herói já lançou ao mar
Suicida, a identidade galante
Sob o azul do céu de Niterói.

Apeie do ginete
E sacuda o pó d’estrelas.
Acorde dissonante lorde
À vida. Domine o tédio
Na pálpebra, revele a tua elegia
Verseje, aproveite
Que para ser poeta hoje em dia
Não se precisa ter cátedra.

SEDA PURA SEDUÇÃO




Eu te quero e quero
porque te quero
seja chique em poesia
seja brega num bolero.

Eu te quero e quero
porque te quero.
Os entraves da vida
o mato crescido na trilha
eu corto tudo no cutelo.

Dos acertos o maior foi amar-te
Dentre os erros, quase nada
a comparar-se
ao pecado do sentir
no arrepio do toque
na seda pura do teu corpo
teus mamilos a eriçar.

Perdido entre os teus pelos
finda-se para mim o medo
vivo a terminação dos anseios
no inebrio de Puro Eros.

Eu te quero e quero
apenas porque te quero.

Evoé!

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Ricardo Sant'Anna Reis 21.9170-9004

Ricardo Sant'Anna Reis  21.9170-9004
"rondava a rosa à poesia pelos jardins das flores tanto mais diversa a rosa quanto mais forem os amores". Sociólogo, poeta e editor, publiquei em antologias e recebi alguns premios literários. Tenho dois livros: "Diario da Imperfeita Natureza" e "Derradeiro Prelúdio" (no prelo). Pretendo aqui interagir com voce sobre poesia ou qualquer outro assunto relevante.

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