AVIS-RARA (Luxúria)
tu então te entregues
quando eu for te rasgar
a anágua
para te ver aguar
como mina preciosa.
se te for buscar no céu
como Eros, como Ares
o Deus capital
no ar bucólico da tarde sensual.
e buenos te serão los aires
enquanto tu, pássaro de apego
mantiver no peito o desejo
que ainda te arde.
e seja assim ou então
em definitivo pare tudo
e emparelhe o teu corpo
se encaixe ao meu
chegando, assim tão perto
tão perto, que nunca mais
bote reparo neste jeito
tão incerto de ter-te.
Ricardo Reis
sábado, 10 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
CARCAZ
Como areias no deserto-pensamento
palavras ditas ausente amor e senso
baralham-se ao vento sem o espanto
Se cala o verso ao mar do mesmo vento
em que a fala no signo em vão resvala
fica a palavra coagida ao espetáculo
Todavia se o poema toma-se em prumo
e de de per si recupera a liberdade
no vento-mar, trama de puro encanto
A verdade do momento então desliza
volta a palavra ao intimo vernáculo
adormecendo o seu anverso à deriva
E faz-se a ânima-poesia em lume-seta
para ver-se ao céu, ao ar, ao vento
onde há o devir por rumo e senda
palavras ditas ausente amor e senso
baralham-se ao vento sem o espanto
Se cala o verso ao mar do mesmo vento
em que a fala no signo em vão resvala
fica a palavra coagida ao espetáculo
Todavia se o poema toma-se em prumo
e de de per si recupera a liberdade
no vento-mar, trama de puro encanto
A verdade do momento então desliza
volta a palavra ao intimo vernáculo
adormecendo o seu anverso à deriva
E faz-se a ânima-poesia em lume-seta
para ver-se ao céu, ao ar, ao vento
onde há o devir por rumo e senda
domingo, 27 de junho de 2010
A AMANTE SÍRIA DO REI
Faz-me o pasto à infausta flama
E confio, desde este canto e mudo
Donde inda á sorrelfa te perscruto
Que antes cuide o peito de quem ama.
Que por meus cuidados e ardores
Preenchendo plena o meu frio leito
Deixes de lado o fausto e o eito
E atentes só aos meus amores.
É quem te ama que assim protesta
Neste ofício vão da esperança perdida
De ter-te inteira depois da lida
Prazenteira dama da intima festa.
E confio, desde este canto e mudo
Donde inda á sorrelfa te perscruto
Que antes cuide o peito de quem ama.
Que por meus cuidados e ardores
Preenchendo plena o meu frio leito
Deixes de lado o fausto e o eito
E atentes só aos meus amores.
É quem te ama que assim protesta
Neste ofício vão da esperança perdida
De ter-te inteira depois da lida
Prazenteira dama da intima festa.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
CANÇÃO DE AMOR E DE EXÍLIO
Amo-te tanto, oh, passarinho, em teu vôo ao torpor
Como havia de amar-te presto em teu livre resplendor.
Meu bem! Meu amor! Acolhe o pequeno pássaro cansado
Que em asas leva a ti este meu louvor.
Amei-o ao vê-lo ao chão, ciscante, e por tanto
Por ter lesto o portal do céu cruzado.
Ah, passarinho que carregas o meu desejo e legado:
Depõe-nos aos pés da Bela Donna com todo o ardor!
Que esta sinta então a intensidade de um beijo!
Dizlá que ando triste inda que pola fé mais cabal
Decida-se-me como pena a dor maior deste distante amor
Dizlá, passarinho, que transpõe o grande pélago
E de pronto à mia casta donzela tributa este carinho
Desde aziago desterro, co’as tristezas deste amar sozinho.
Como havia de amar-te presto em teu livre resplendor.
Meu bem! Meu amor! Acolhe o pequeno pássaro cansado
Que em asas leva a ti este meu louvor.
Amei-o ao vê-lo ao chão, ciscante, e por tanto
Por ter lesto o portal do céu cruzado.
Ah, passarinho que carregas o meu desejo e legado:
Depõe-nos aos pés da Bela Donna com todo o ardor!
Que esta sinta então a intensidade de um beijo!
Dizlá que ando triste inda que pola fé mais cabal
Decida-se-me como pena a dor maior deste distante amor
Dizlá, passarinho, que transpõe o grande pélago
E de pronto à mia casta donzela tributa este carinho
Desde aziago desterro, co’as tristezas deste amar sozinho.
terça-feira, 22 de junho de 2010
DESACERTO
A donzela-musa o surpreende no beijo ausente
Em que a magoa que lhe dobra se pressente
Aceno tíbio, inaudito adeus de moça afrontada
Não dava mais contas dos mimos seus por nada.
Pensa o vate que não há de pirata um tesouro
Ou a beleza que lhe possa acudir um esteta
Que valha o nevoar do âmago, o desdouro
Da amada que se crê preterida pelo poeta.
Este, penitente, se renova em harta devoção
Derribando humores outros da eterna promissão
Amando assim transido, não a quer embaraçada
Insone no duvidoso anseio da inútil madrugada.
Ao enfeixar de coragem o amor que à musa devota
Rouba-lhe o beijo de tornar noite escura, enluarada.
Em que a magoa que lhe dobra se pressente
Aceno tíbio, inaudito adeus de moça afrontada
Não dava mais contas dos mimos seus por nada.
Pensa o vate que não há de pirata um tesouro
Ou a beleza que lhe possa acudir um esteta
Que valha o nevoar do âmago, o desdouro
Da amada que se crê preterida pelo poeta.
Este, penitente, se renova em harta devoção
Derribando humores outros da eterna promissão
Amando assim transido, não a quer embaraçada
Insone no duvidoso anseio da inútil madrugada.
Ao enfeixar de coragem o amor que à musa devota
Rouba-lhe o beijo de tornar noite escura, enluarada.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
MAQUINA DE ESCREVER

Recuperei a Olivetti Lectera
para poemas que me pedem
certidões de nascimento.
Originais que não se deletem
rascunhos que duvidas revelem
os impasses do momento
na saga da criação.
No verso, a falsa solução tentada
antes do escandir, da burilação
iluminada
e ainda, as máculas imorredouras.
A lírica em seu reverso.
A cibernética suprimiu
a biografia da poética
e a impede de ser legada
às gerações vindouras.
terça-feira, 15 de junho de 2010
um belo poema
Ultravida
Ah! Devolva-me intacta
a brisa perdida nos descaminhos.
Que o cinza não cubra o arco-íris
e no rebento da onda
não me fuja a poesia.
Rejuvenesço,
enquanto o tempo
mata a vida nas dobras da pele.
Carcomidas pela ferrugem das horas
as dobradiças do tempo
não articulam novos movimentos.
A poesia flana na alma
enquanto a morte
agiganta-se na carne.
O corpo atracado no porto,
assiste ao poente
que repete paisagens do que foi
vivido, cismado, divagado, perdido.
A alma, em outras paragens,
navega em mar alto,
com a certeza
de que depois do porto
nada é findo, mas inefável...
Não há como fugir nem fingir, começo a crer:
há um desarranjo no duplo que me faz.
Cláudia Gonçalves & Ednilson de Paulo
Ah! Devolva-me intacta
a brisa perdida nos descaminhos.
Que o cinza não cubra o arco-íris
e no rebento da onda
não me fuja a poesia.
Rejuvenesço,
enquanto o tempo
mata a vida nas dobras da pele.
Carcomidas pela ferrugem das horas
as dobradiças do tempo
não articulam novos movimentos.
A poesia flana na alma
enquanto a morte
agiganta-se na carne.
O corpo atracado no porto,
assiste ao poente
que repete paisagens do que foi
vivido, cismado, divagado, perdido.
A alma, em outras paragens,
navega em mar alto,
com a certeza
de que depois do porto
nada é findo, mas inefável...
Não há como fugir nem fingir, começo a crer:
há um desarranjo no duplo que me faz.
Cláudia Gonçalves & Ednilson de Paulo
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Evoé!
Saiba que a sua visita e o seu comentario dão sentido a este espaço, que alem de divulgar poemas, quer conversar sobre a vida. Esteja em sua casa.
Ricardo Sant'Anna Reis 21.9170-9004
"rondava a rosa à poesia pelos jardins das flores tanto mais diversa a rosa quanto mais forem os amores". Sociólogo, poeta e editor, publiquei em antologias e recebi alguns premios literários. Tenho dois livros: "Diario da Imperfeita Natureza" e "Derradeiro Prelúdio" (no prelo). Pretendo aqui interagir com voce sobre poesia ou qualquer outro assunto relevante.
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