
a disposição dos espaços
o burburinho buliçoso
das borboletas corais
o engenhoso trabalho do besouro
roendo a lenha aos nacos.
na servidão dos caminhos
acerados pela relva
sorve, o passarinho
para o seu canto matinal
as gotas de orvalho
ficadas da noite.
o filhote gorjeia no ninho
no alto de um pé de pau.
um balido gesto, que seja, um ato
introduzindo nos princípios da tarde
a sinfonia magistral dos insetos
grilos e cigarras, para ser exato.
o céu, corta-lhe
o vôo planador da seriema
olhos de lince
caçando a cobra buraqueira.
no longe, crianças brincando
celebrando a vida inteira.
e o dia, então, se exerce
de um modo pluriforme
sob o impacto da perfeição
daquele único e tênue momento.
não há razão para tragédias
crueldade, anulação de sentimentos
na forma do natural desdobrar
de um destino de ocorrências.
dado fosse ao homem alcançar
a virtude em o seu ofício de viver
fincaria os pés no barro
deixando a vida acontecer.
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