no rumorejar dun tempo ido
en loca de auga fría
que bruta, opera e brota
en silencio
e no tempo dun relogio marcando o compasso
do viver perdido
cobrejando en curvas
a auga se ía
fazer-se ribeirão
unha vereda cuja rota
cruzaba toda a vila
e a vila nada via
fiada no oficio
das oraçóns, perdia-se
e se perdía tambem ao olor
da augardente
pola serra de Bryon
e no entorno, a bruma
e os seres das brenhas
os abellons e a brisa
pasando
na tarde a bruar
por tras-os-montes
pasando, a pasar
e já é un río
que desde aquí
vai renascer
no mar alem
da igreja, inda o cantochão
non dava noticia do río
que pasando dista-se
no arrulhar atonal
as augas fervilhando
nas pedras
é o que agora se escoitaba
hai ecos habeis e perenes
ecos de vital mecanismo
pontes que atravesan o ceo
e levam o tren voador
hai pontes do engenho humano
trançados en aceiros
e no amor
a suplantar abismos e desterros
embaixo das pontes
arrulha o son apurado
que é mais que o azar
dispondo as notas tonais
é o son das augas frias
de grave e profunda beleza
tan leve como nunca se obteve
na mais fermosa das sinfonias
e a terra na distancia
como estendido comentario
de pedra e de po
era medida no mugir
dun garrote abandonado
que a nai clama
na capoeira perdida
sinto-me como o muar
mas inda opera e brota en silencio
a auga e o relogio do tempo
en seu compasso desdobrado
polo sol e polo esterco
pola brisa do Terral
saneando homens, gado, levando desejos
penso na Rosa e em Pondal
fundantes de mia alma varia
e todo se esvai nun minuto
o repentino e fugaz momento
de ausência
e me retorna o lampejo
primal de minha fratria.
Artur de Bastavales, Vigo, GALIZA, 2009.nov.
domingo, 15 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Este, já o sabes, é do "outro", o grande mestre! Bem entendido!
Tão cedo passa
Tão cedo passa tudo quando passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
Ricardo Reis
(Fernando Pessoa)
Tão cedo passa tudo quando passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
Ricardo Reis
(Fernando Pessoa)
CANÇÃO DE AMOR E DESPEDIDA I (soneto inglês)

A Eduardo Pondal
Amo-te, passarinho, em teu vôo contido ao solpor
Como haveria de amar-te livre em pleno esplendor.
Meu bem! Acolhe este pequeno pássaro cansado
Que’n asas leva a ti todo o meu louvor.
Amei-o ao vê-lo ao chão, assim, ciscante
E por ter, lesto, o portal do céu cruzado.
Oh, passarinho que carrega o meu desejo:
Depõe-no aos pés da bela com todo ardor!
Que esta sinta-o na intenssidade de um beijo!
Dizlá que ando triste, inda que pola fé mais cabal
Decida-se-me como pena a dor maior deste amor!
Dizlá, oh, passarinho que transpõe o grande pélago
E de pronto a mia casta donzela tributa este carinho
Desde um aziago desterro, coas tristezas de um amar sozinho.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
POEMA DO DESCONTENTAMENTO

Cansei de viver metade
metade do tempo
metade do amor
de dizer meias verdades
e não ser íntegro comigo mesmo
não ser inteiro, conciso.
Cansei de buscar sentido
em bebidas, pernas compridas
em distâncias: chegadas e partidas
em sair desesperadamente
pra outro lugar sem saber por que
sem nunca encontrar.
Cansei de viver aos bocados
obter parcelado do nada
viver como pedinte
coadjuvante de mim mesmo
considerado estúpido
menos, pouco, irrelevante
engolir o cuspe seco
o sangue, o choro, o dia.
Violentar o próprio corpo
com sorriso nos dentes
desperdiçando o melhor de mim.
Cansei de ser assim.
Fabiano Silva PA
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Evoé!
Saiba que a sua visita e o seu comentario dão sentido a este espaço, que alem de divulgar poemas, quer conversar sobre a vida. Esteja em sua casa.
Ricardo Sant'Anna Reis
e rondava a rosa à poesia pelos jardins das flores tanto mais diversa a rosa quanto mais forem os amores Poeta, sociólogo, produtor cultural, Ricardo S. Reis publicou em antologias e recebeu alguns premios. Com dois livros, Diario da Imperfeita Natureza e Derradeiro Prelúdio (no prelo), pretende aqui interagir com voce sobre poesia ou qualquer outro assunto relevante. Evoé!
