sábado, 27 de junho de 2009

Espelho do Toucador

Quando uma mulher se solta
e aos seus cabelos longos
algo acontece de se ver
de se ver, não de se tocar.
É que o mundo se acende no ato
e, luminescentemente clareia
aplacando à qualquer cizânia
quando a Penélope se penteia.
Dá-nos a vida, um fugaz momento
no vislumbrar da mulher
aos aprontos para o adormecer.
Não é o corpo, receptor de todo engano
nem a noite, suave fim da chegança
mas sim, o gesto da mulher ao toucador
um dar de mãos displicente
lânguido e lancetador
deslizando seus dedos sobre as melenas.
Este é um sublime alumbramento
que conduz à idéia de perfeição
à qual costumamos olvidar.

Um comentário:

telmacosta disse...

Lindo esse poema, lindo.

A imagem que você evoca toca; dá pra VER essa musa, imaginá-la, imaginar os seus cabelos tocados por alguma brisa faceira que entrou sem pedir licença pela fresta da janela do quarto.

Parabéns, como sempre, Ricardo.

Evoé!

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Ricardo Sant'Anna Reis 21.9170-9004

Ricardo Sant'Anna Reis  21.9170-9004
"rondava a rosa à poesia pelos jardins das flores tanto mais diversa a rosa quanto mais forem os amores". Sociólogo, poeta e editor, publiquei em antologias e recebi alguns premios literários. Tenho dois livros: "Diario da Imperfeita Natureza" e "Derradeiro Prelúdio" (no prelo). Pretendo aqui interagir com voce sobre poesia ou qualquer outro assunto relevante.

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