
Para um quarteto, de cordas e mais flauta
Que de transversa vai à pura sono ridade
Num apuro de acordes, facho de luz, feixe de prata.
Na toccata, instrumentos elidam tons em semibreve.
Das cordas retesadas, ao vivace se projetam
Notas tais, que deixam a alma em Alevare.
Sustenida à rítmica em um contrabaixo repique
Chora vai no lamento, a viola enluarada.
Ao violão, castiço, se devota apaixonada.
Eis que me entrego à doce perdiçon, mi longa a vida
Que assola ou reconduz em calma inteira
Ao ritornelo de uma música de essência e de falta
Como um nuevo tango atonal de Piazzola
Uma dor nova em versão bela e decidida
Para um quarteto, de cordas e mais flauta.
Ricardo Reis, julho de 2009
Um comentário:
Belo ritornelo, poeta. Jogo musical permitido enquanto a vida passa, pois ela, nunca volve... Beijos da Galiza.
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