sexta-feira, 10 de julho de 2009

RITORNELO



Para um quarteto, de cordas e mais flauta
Que de transversa vai à pura sono ridade
Num apuro de acordes, facho de luz, feixe de prata.

Na toccata, instrumentos elidam tons em semibreve.
Das cordas retesadas, ao vivace se projetam
Notas tais, que deixam a alma em Alevare.

Sustenida à rítmica em um contrabaixo repique
Chora vai no lamento, a viola enluarada.
Ao violão, castiço, se devota apaixonada.

Eis que me entrego à doce perdiçon, mi longa a vida
Que assola ou reconduz em calma inteira
Ao ritornelo de uma música de essência e de falta

Como um nuevo tango atonal de Piazzola
Uma dor nova em versão bela e decidida
Para um quarteto, de cordas e mais flauta.

Ricardo Reis, julho de 2009

Um comentário:

Isabel disse...

Belo ritornelo, poeta. Jogo musical permitido enquanto a vida passa, pois ela, nunca volve... Beijos da Galiza.

Evoé!

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Ricardo Sant'Anna Reis 21.9170-9004

Ricardo Sant'Anna Reis  21.9170-9004
"rondava a rosa à poesia pelos jardins das flores tanto mais diversa a rosa quanto mais forem os amores". Sociólogo, poeta e editor, publiquei em antologias e recebi alguns premios literários. Tenho dois livros: "Diario da Imperfeita Natureza" e "Derradeiro Prelúdio" (no prelo). Pretendo aqui interagir com voce sobre poesia ou qualquer outro assunto relevante.

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