
A arte surpreende sempre. Ezra Pound diz que: “A poesia difere da prosa pelas cores concretas de sua dicção”. Diário da Imperfeita Natureza, do poeta Ricardo Sant´Anna Reis. Já no título você é tomado por um impacto de beleza estilística. Seguindo e passeando pelo corpo do livro, vamos encontrar pontos de luzes que nos questionam e nos adicionam. “De repente, tudo se dá aos tropeços, sem ciência. O fim das coisas, igual ao começo”. Um poeta de múltiplas vozes, tons e sons. “devorar, num ritual antropofágico, minhas referencias”. Seguindo página a página, o livro vai indo e te tomando, num misto de elaboração, sabedoria e domínio da escrita. O poeta dança solto e dá show de construção no ofício do fazer. Fique atento e siga a trilha: Ricardo Sant´Anna Reis chegou para afirmar que poesia é coisa fina. E é: Demanda ao Mestre Pessoa, Uma Clara Tessitura, Gazal de Aprendiz, O Corsário, Poema para Walt Whitman, etc. O poeta, seus amores, suas interrogações e seus caminhos. Colhendo no ar a viva tradição, Diário da Imperfeita Natureza traz em seu bojo a marca de civilizações várias. É a afirmação de nova e contundente voz na poesia deste Brasil de dimensões continentais.
Luz, luz, luz!
Rio, agosto de 2007
Jorge Salomão
Nenhum comentário:
Postar um comentário