
I
A menina de tranças
armava um jogo de pedras
bulitas multicoloridas
lajedo do rio, de pedra
arenoso, lavra
cada pedra escolhida
uma palavra separava.
Depois, outra medida
a palavra sentida ela amava.
Era num horizonte perdido;
e havia uma pedra de mar
que se revolvia nas ondas;
e uma pedra chamada anel
que em conchas anelava-se;
e se era azul a cor do céu
dizia a menina, lápis-lazúli
era a pedra de azular.
Se patos no alto apontavam
a menina batizava
a pedra.
Pensava em revoada, fluía
disparava na imaginação
se deixava, costumeira.
Como um trigueiro navio
ela tecia tramas de bilro
à sombra da palmeira
tecia um vestido de névoa
alinhavado com brilhos de rio.
II.
A menina de tranças sonhava.
Queria de alguém bem bonito
Ser a primeira namorada.
Esperando o amor, acontecia
De dançar alegre e em tal fulgor
Ao poente, no fim do dia
Que o próprio sol admirado
A mirava enquanto anoitecia.
Dançava sozinha e tão plena
Que dançando trançava aprendia
O seu lírico destinar de menina
Lírica, derramada em poesia.
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