
I
Natural é que homens queiram
Desviar o curso dos rios
No momento
De seus valores preservar.
Mas não se pode
Pelo novo deixar-se intimidar.
Inda mais quando se sabe
Que andam juntos
A critica e o conhecimento.
As vezes algo nos refreia.
O que é, não sabemos dizer
Neste tempo que receia
Em que estamos a viver.
Vemos que tudo se paralisa
E ficamos em tímidos passos
Sem viver a vida em cores
Sem buscar grandes amores
E o trinado alegre dos pássaros.
Ter medo é viver sem poesia
Sem convicções e ardores.
Faz perder a liberdade
E deforma as emoções.
Este medo não instrui, domina.
De aprender o que a vida ensina
Faz perder a oportunidade.
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II
Aldeante tribal em vão transita
N’atmosphera de estultícias
Em despejamentos soerguidos
Continuum ir de uma alma aflita.
Já Rimbaud não erra por quereres
Na flama que lhe queima no inferno
A claridade exposta ao som de um sino
Vogais latentes, palavras vãs cheias de erres.
Ah, solidão errante em trilhas de hemisfério
Como inventada em Alighieri por Dante
Denunciando a derrocada do Deus do mistério
No coração condenado ao destino mutante.
O calor tremendo descarna os ossos
E deixa-os cintilar por sobre a terra.
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III
O vaticínio completa o castigo apressa
Faz-se rumor sob as armas inimigas
Obriga-o a ser caminhante e Guesa
A ser o condor de idéias tão antigas.
Já o disse Borges que afora as estrelas
Não há outros seres vivos nos céus.
Só flexíveis e helicoidais harpias.
Não há espectros nem lugar para Deus.
Que saberei eu do rei das trapaças
Mais que sei dos tatus as carapaças
Mais do que assombram os sacis à criança
Ou sei do velho de barba hirsuta e branca.
Soam as melopéias infernais
A infundir o medo, nada mais.
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