
Poética I
A Thomaz Caetano Raymundo
Se quiserdes dizer da poesia
diga como Charles Bukowviski.
Fale o que for sobre a vida
que viver é o mistér da arte.
Diga o que se faz da noite,
que se encerra no pleno do dia.
O que preenche o vazio
que no peito te dilacera.
No fundo do quarto, do bar imundo
do intenso do fundo do fundo de tudo
d’onde tudo vem surgindo, emergindo
e a embriaguez te faz mudo e frio...
insuspeita, qual um fio
da mínima parte, a poesia processa
o dia como no grande Mar Aral,
- que ao princípio nasce de um rio.
E antes dele, a nascente primeva
e tênue; escassa de peixes.
Fale mesmo da vida nanica
e vil, e inda vária.
E, sem precisar, diga-o em poesia.
Ricardo Reis
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