
Passa, porque me passa a nuvem
Que já foi suave e foi sombra
Sobre o chão de Bastavales.
Hoje polo céu azul do Brasil
Pega-me de amor galego
E traz-me a paz polos ares
Em rolos de fume.
Ah, Bastavales, Bastavales!
Inda oiço nas campas da esperança
A Rosa que te nomeai
Pisando em tuas folhas verdes
Carpindo tuas letras olvidadas.
Ah, nube ridente, medieva campesina
Que me passa, em teu bruar
Polo meu desterro, desde tão longe
Da Nai e Nação Galega.
Dá-me tuas nuvens como chalés
Dunha fina estampa roxa
Como um fim de tarde
Sem nenhum peso na fronte
A nos turbar.
Assim, irmão, a ti por esta nube leve
Querer-te também bem-vindo a vida
Sem tempo, sem um fim e sem começo
Como no horizonte da Fisterra
Em que todo o mal em unha oração se evita
Antes de lançar-se ao mar
O como num encanto em um caldeiro druida
Na clareira do bosque frondoso e negro de Vigo
Como no mistério oclusivas
Que em todo que é bem se permita.
Artur de Bastavales
Vigo - GALIZA, 2009 10 20
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