
o bairro de Copacabana, em luz diáfana
vive carregado de sua preguiça diurna
de seus pecados soturnos, da noite
com as suas emoções prévias.
ai de ti Copacabana, que em tudo
te perdoam os devotos de tua elegia
para que disponhas, eternamente
a passarela de pedras portuguesas
ao cair da tarde
e te permitas às lascivas línguas
das ondas brancas do mar
que te sorvem
desfazendo o contorno duro das formas
e fazendo-te entranhar
mais e mais
em nossas almas citadinas.
ai de ti mulher mundana
vestal senhora
que caminha nua pela noite.
eros não te condena; antes
te comemora
e ao teu trotoir de malícias
e abriga-te em colo divinal.
não irão, também, macular-te
os homens severos
pois és afinal, Copacabana.
apenas permanecerás
digna e condenada
à uma insonata secularidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário