
A Cláudia Gonçalves (Cacau)
Um poeta solitário caminha em devaneio.
Vai como triste no marulhar das gentes a reparar.
Dúbio, em perdidas palavras, agrava o pensar.
Estas não lhe trazem o remanso da brisa do mar a meio.
O que lhe falta? O que lhe sobra? Qual o seu momento?
Algo diz bem no fundo que é o tal enternecimento
Que antecipa a ventura de saber o que virá no vento:
- Desde o sul, o minuano, a lira e o sentimento.
Amalga-se, pois, agora a saudade dos olhos de claro mel
E de angelicais mãos que sequer se deram - e pressentidos
Os beijos de rubilita na aragem do outono, - jamais sentidos.
O poeta sonha a musa de apego assaz tão liquido
E lhe vem ao verso à marina brisa e um violino na distância.
À lassidão da lua, no peito o langor d’alma vem aplacar-lhe a ânsia.
Ricardo Sant'Anna Reis
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