
No pêndulo destas horas repetidas
Tantas intenções
São comprimidas
Dando-se inúteis, como sempre
Houvera sido, paixões veementes
Dores na fronte transcendidas.
Se querias o ardor ou a iluminação
Da primavera, e na pele lisa
Fervesse-lhe o ácido adstringente
Do tino; se lhe viesse no vento
As badaladas longícuas, inclementes...
E se lhe forem escondidas
As mesmas cenas de horas
Invalidas; e se forem as mesmas
E definitivas desde sempre
No mundo, já vividas...
É um pendular sistema
Eterno, morto, moto-perpétuo
Renitente.
Não há manhã que enterneça diferente
Nem mais mistérios na Cabala e na Maçã
depois de dissecada por Bandeira.
Dos muitos que houveram
Não há mais filhos, anseios
De “melhor não te-los”.
Permanece na boca, pendido
Um cigarro no canto morto
Do lábio morto, um cigarro morto.
E ainda os Cães da Andaluzia
Que nos vigiam faiscantes
Como Cérberos Infernais
Como Baskerviles de pleno zelo
Sabujos farejadores do nosso medo.
Será sempre o mesmo modo
De se estar abandonado.
Quisera o passo, ao cambaleio;
A vida, ao mimetismo de si mesmo.
Quisera, eu, estar apaixonado
E que na bruma desta emoção se revelasse
O porto da infinita espera.
Quisera ser capaz de construir cidades
A esmo, pelos caminhos de pó
Ou pelas monções marinhas.
Quisera, a quimera que
Enfim, nos conduzisse
À felicidade.
Um comentário:
Senti um quê de amargor no belo POEMA ! estarei certa ou será engano meu, POETA ?!
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