quinta-feira, 23 de abril de 2009

IRREFLEXÃO


Às vezes tu almejas a Dor.

Não queres nada com o amor suave.
Só uma dor que acompanhe o teu desejo.

Uma dor que distorça os sentidos
Uma dor sem esperança
De um herói morto

Vencido.

Como um vampiro
Um anverso

Queres ver de novo
Na hora do beijo
De teu corpo, o irreflexo

No espelho, torto.
Cobertas de cetim grená
As paredes da sala.

E não te será nítida a imagem
Perdida em tempo outro
Tomada em sonho breve.

E quando elevares do solo
A donzela leve

Para lhe cravar os dentes
Sorver-lhe o sangue quente

De antemão, entrementes

Perceberás a representação
Da sombra do que tu és
Que restará, de todo, convexa

E só revelar-te-á
A Dor de teu desconsolo
Crispada num rosto ausente.

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Ricardo Sant'Anna Reis 21.9170-9004

Ricardo Sant'Anna Reis  21.9170-9004
"rondava a rosa à poesia pelos jardins das flores tanto mais diversa a rosa quanto mais forem os amores". Sociólogo, poeta e editor, publiquei em antologias e recebi alguns premios literários. Tenho dois livros: "Diario da Imperfeita Natureza" e "Derradeiro Prelúdio" (no prelo). Pretendo aqui interagir com voce sobre poesia ou qualquer outro assunto relevante.

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