quarta-feira, 22 de abril de 2009

O ESPINHO



O Bandeira inopinado de cada dia
De um acúleo amigo, seco e perdido
Faz-me lembrar nesta manhã fria.

Este que privou de tais momentos
Da intimidade do deserto árido
Estóico, sem resmungos ou tormentos.

A pouca água à serventia
De sua presença encoberta e silente
Apenas quando a lembrança me surgia.

Era ácida e necessária a critica de meu eito
Seus espinhos feriam o magma
De meus useiros poemas imperfeitos.

A gota varia de meu sangue deprimido
Rubro e lívido, de infrutil esterilidade
Marcou o seu verde esmaecido.

Cactáceo raptado a um torrão qualquer
Companheiro de (d)anos e de nada
Para o nada se foi esquecido.

Mudei-me de casa.
E como tantas coisas se vão perdidas
Nas mudanças, talheres, dores, amores
E paisagens, assim se foi
Para todo o sempre
Meu camarada observador de misérias.

Condenei-o a exuberância de um jardim qualquer
E a infanda companhia de plantas fúteis e flores
Ao alvorecer constante
Sem mistério, repetido e chato
Ausente a sombra de meus poemas.

Meu hirto cacto; e calado
Hoje, em outro de meus hemisférios
Se me tornou um peixe azul e afogado.

Um comentário:

Ricardo Sant'anna Reis disse...

(transposto de Email recebido)

O cacto do Bandeira continua a tocar a nossa sensibilidade. Belo poema. Parabéns, Ricardo

Gilberto Mendonça Teles

Evoé!

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Ricardo Sant'Anna Reis 21.9170-9004

Ricardo Sant'Anna Reis  21.9170-9004
"rondava a rosa à poesia pelos jardins das flores tanto mais diversa a rosa quanto mais forem os amores". Sociólogo, poeta e editor, publiquei em antologias e recebi alguns premios literários. Tenho dois livros: "Diario da Imperfeita Natureza" e "Derradeiro Prelúdio" (no prelo). Pretendo aqui interagir com voce sobre poesia ou qualquer outro assunto relevante.

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