
A poesia que sai de mim não tem cor,
branca e lívida como eu, exangue.
É melhor mata-la com um tiro no peito,
do que vê-la perder-se num poço sem fundo
procurando o senso médio de sua arkqué
perdida em tédio no meio do mundo.
A poesia que farei, daqui para a frente,
revelará profundo como o Chico Buarque
o ente lírico de todas as mulheres do mundo
e não vai rimar na pobreza amor e dor.
Que asco! Deixará em paz flor, vernáculo e mente,
sem viscosidade, sob fartas doses de remédio para o senso.
A poesia moderna não terá ritmo e nem poética.
Não vai servir à leitor condescendente.
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A culpa pequeno burguesa do beat mangue
não ansiará pela noite negra, sem cor
nada dirá do blackisbeautifful, nada
nada do afro-reague, HipHop, DJs, MCs, Funk.
Nada, nada, nada.
Só será poesia se tiver
a cor inexistente da tarde,
o lapso da mnemesis ardente.
A memória das pedras no caminho, quero ver
para evitar os tropeços e na retina as reter.
Drumondianamente, quero a poesia da paz
dos cemitérios sobreviventes.
O poema roto do fim do planeta;
nenhum para o seu recomeço.
Ah, já me cansei de mistérios iniciáticos.
Não quero mais o coração como tema.
Quero-o rubro pulsante, traspassado
à medieval lança, expostas as coronárias azuis.
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Sem cateterismo literário, submergir
na lambança do linfa,sangue e pus.
Quero a poética das emoções comuns.
Emergir no soro de veias abertas
na ácida droga da madrugada infesta.
O meu poema, que siga-me à revolver
o minhocário com as mãos.
O cheiro úmido da terra; a morte amiga
à espreita.
Que me siga a perseguir
a calma desejada
pois já não consigo coisas
alem da petulância do existir
em um oceano irredento
e sem surpresas.
Do futuro, só o plano de plantar
Cajueiros e pés de Lima da Pérsia
ou belas arvores florais
em um restrito terreno
na Região dos Lagos,
para colorir o cenário
de minhas poesia
(enquanto astronautas dominam
as frias estrelas do céu).
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